26 dezembro 2013

Brincando de cabaninha


Me deixa ser sua janela?
quero ser a ponte entre o seu intimo e o mundo,
quero ser o recorte do seu olhar,
quero ser o lugar que você se escora pra admirar o que se passa
quero ser...

Me deixa ser sua porta?
quero ver você se arrumar pra passar por mim,
quero te proteger e deixar trancado lá fora tudo aquilo que você tem medo que te atinja.
Também quero te deixar sair,
passe a chave em mim, me tranque bem pra ter certeza que ninguém vai me roubar,
depois passeie, vá se divertir,
mas vê se volta viu?

Me deixa ser seu chão?
quero ser o que te dá equilíbrio
quero que sua força pese sobre mim e eu te devolva ela do mesmo modo,
prometo que não te deixo cair.
Se cair eu me faço macio, pra logo em seguida me fazer duro pra te ajudar a levantar.

Ah, se só seu eu pudesse ser, eu seria.

22 maio 2013

Cenários - as reflexões que tive acampando no Pico da Bandeira


Enfim realizei algo que já desejava há pelo menos dois anos: chegar ao topo do Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do Brasil. Junto de outros quatro amigos planejei a viagem durante um mês, nos preparando porcamente para subir e passar uma noite no ponto mais alto da Serra do Caparaó. Pela falta de dinheiro e experiência em fazer trilhas desse tipo, enfrentamos algumas dificuldades que até poderiam ter impossibilitado cumprir o objetivo, mas pela disposição de nossa idade conseguimos chegar bem até o final.

Porém o que mais me impressionou nisso tudo, e o fator que deve levar tantas pessoas a se interessar em subir a montanha, é a efemeridade da existência humana. Por sermos seres sociais e condicionarmos nossa existência a mudar o ambiente que vivemos, nos acostumamos aos cenários que nossos próprios antepassados criaram. Nossas cidades, nossos prédios, nossos carros, nossos objetos, todos produzidos há poucas décadas. Tudo recente. Ao encontrarmos um item com mais de 50 anos, automaticamente já o consideramos como algo estranho, pertencente a um mundo onde tudo era diferente.

Durante as seis horas de subida, passando por caminhos irregulares de pedras pontudas, longe de todo conforto a que estava adaptado, de tudo o que pensava precisar para sobreviver, percebi o mundo de um jeito que ainda não o entendia. Aos poucos, as espessas névoas foram ficando para trás. Concentrado em onde pisar, com o olhar voltado para o chão e a respiração cansada, mal pude ver as nuvens se dissipando e o céu abrindo. Era bem na hora do crepúsculo, estava em uma posição acima das nuvens, um horizonte avermelhado e triste que só tinha observado das vezes que viajei de avião. Confesso que o achava estranho, e por vezes até entediante, aquele céu limpo, literalmente vazio. Não havia montanhas, não havia prédios, nem árvores e nem nada ao alcance dos olhos.

Com o acampamento montado meus amigos foram dormir. Com frio e sem sono, resolvi sair da barraca. A lua crescente e vistosa que figurara no céu desde a minha chegada desapareceu. Sem a luz da minha lanterna, tudo se resumia a um mundo bidimensional. Enxergava apenas o céu em um tom negro, repleto de incontáveis estrelas, e a massa negra e opaca do terreno, sem nenhuma luz sobre ele, o que me impede até de chama-lo de sombra.

Ali, pela primeira vez, tive noção da existência do universo. Das estrelas que já estavam lá a milhões de anos e daquelas que emitiam sua imagem sem nem ali estar mais. Aquele mesmo céu foi visto por gerações que nem foram descobertas ainda. Aquele cenário viu o nascer do mundo. Toda a história que conhecemos, todas as preocupações que temos, tudo o que desejamos ser, tudo o que passamos, as guerras que aconteceram, as evoluções que tivemos, o que destruímos, o que construímos, os amores que vivemos, tudo não passa de mais um pontinho naquele céu, naquele cenário, que no momento está aceso, mas um dia vai se apagar, enquanto outro pontinho se acende.

Pensando nisso, naquela noite, me dei conta que não há nada que devo me preocupar. Toda decepção que eu tiver, todos os erros que eu vier a cometer, ou ainda que eu tenha acertos, tudo isso não será nada nesse cenário. É como se as cidades que criamos fosse uma forma de nos enganar e acreditarmos que o que fazemos será de alguma forma importante dentro daquele recortezinho que nos convencemos de que é o mundo. Enquanto que o universo permanece ali, imenso, rindo, desse ser tão pequeno e convencido que somos. Seres atrapalhados, seres perdidos. Heh

01 abril 2013

Eu existo!


“Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo!”

trecho de "A descoberta do mundo", de Clarice Lispector.

27 janeiro 2013

Quem são vocês?


Não tenho como deixar de pensar o que as pessoas acham de mim. Queria dizer o contrário, que sou independente e faço o que eu faço pensando só na minha satisfação. Mas isso seria uma grande mentira.
Numa noite dessas, lendo algum livro remoto, com o pensamento distante – letrinhas são meticulosamente hipnotizantes para minha mente disléxica – me peguei querendo saber qual impressão fica em quem lê o que escrevo. Quem são estes leitores?

Às vezes os penso serem pessoas próximas, com um impulsivo interesse súbito por mim e que resolvem me stalkear. Até onde uma pequena pesquisa poderia os levar? Penso que não deve achar grande coisa o que lê, neste momento. Se veio querendo saber se escrevo bem, aviso que não tenho uma técnica tão boa a ponto de romper com barreiras de tempo e espaço e transcender um diálogo direto com você. Se quer saber mais sobre quem sou, te adianto que sou um cara legal. O problema é que não consigo provar isso facilmente. Se és alguma garota, que por algum acaso, se apaixonou por mim, não tenha medo de eu a rejeitar. É provável que se conseguiu me achar algo a mais do que simplesmente legal, é bem capaz que também esteja apaixonado por você. Demorarei para perceber, como tenho feito até aqui, mas mantenha suas esperanças, pelo meu bem. Se não for esse o caso, tento te imaginar agora como alguém que acaba de ouvir meu nome por algum feito interessante. Pelo menos é o que quero acreditar, que eu consigo fazer algo de interessante aos alheios. Se está lendo meu grande best-seller agora ou ficou sabendo da minha trágica morte, – como sempre sonhei, trágica, com bastante cobertura da mídia, de preferência com bastante comoção, se possível, em âmbitos nacionais – pouco me importa.

Talvez você seja neste momento eu mesmo, separado por alguns anos de vida. O que está achando do que éramos? Algo engraçado, que no seu tempo parece ridículo? Pois saiba, seu engraçadinho, que só escrevo coisas assim, pensando em treinar, para que um dia você possa desfrutar de alguma técnica de escrita. Aliás, espero bastante de você. Quantos livros publicados já possuímos? Ao menos construímos uma família feliz, que faça valer a pena enfrentar nosso velho problema em ter de trabalhar? Espero que tudo que tenho feito esteja valendo a pena. Confesso que ando preguiçoso, mas poderia fazer muito menos por nós e me divertir com o que me resta de juventude, em vez de ficar lendo alguns autores e escrevendo textos aleatórios, só pela prática.

De repente nem eu mesmo venha a me ler. De vez enquanto até aparece umas visitas nas estatísticas do blog, mas desconfio que é só alguém pesquisando por uma imagem qualquer que eu tenha relacionado. Mas pode ser que o Blogger por algum motivo simples ou uma conspiração das agências internacionais de inteligência resolva deletar minha conta, e com ela tudo o que escrevi até aqui. A minha fase infantil, a minha fase em que eu achava que era sério mas ainda era infantil, a minha fase apaixonado e esta minha fase cínica, irônica e pessimista. Deixarei gravado no meu computador, mas é provável que não lembre deste doc ao fazer meu backup. Talvez devesse imprimir, colocar este texto em alguma garrafa e jogar no mar. Parece-me tão bonito. Mas não farei isso, é um meio tão singelo de deixar uma mensagem para a posterioridade que a decepção com um texto apenas razoável estaria garantida, modéstia à parte. Sempre se espera mais de alguém que tome uma atitude dessas, por isso não o farei.

Não sei pra quem escrevo, vou engolir essa curiosidade por enquanto. Tudo que eu queria agora era ser onisciente e saber o que as pessoas pensam de mim. E tomara que elas me achem melhor do que eu acho que eu sou.

Ou que possa ter sido.

04 janeiro 2013

Minha cela, minha vida

Me sinto um condenado.

Condenado ao fracasso e a uma vida medíocre. Tenho tido tantas ideias, tantas propostas de mudança em meu caminho, tanta coisa que eu poderia fazer, planos de vida, atitudes que me tirariam desse marasmo tedioso que sou. Porém tudo se esfarela ao vento e meus sonhos se perdem em algum momento, se transformando em memórias distantes com prazo para serem esquecidas.

Eu sou o condenado e as minhas ideias são o sol, vistas de uma janela quadrada com grossas barras de ferro. Como um presidiário que lamenta não mais sentir a luz do sol se transformando em calor em sua pele, sou o fracassado diante de um futuro tão interessante e um presente tão vazio. Minhas noites me levam a sonhos e possibilidades incríveis, mas o dia sempre vem carregado de obstáculos muito mais fortes do que eu. Enquanto isso, tento me fortalecer e ser capaz de traçar uma rota de fuga, enganar a mim mesmo ou ao menos fingir que um dia largarei esta minha cela, este meu casulo. Só espero que o amanhã não seja tão rude e me deixe ao menos essa esperança.

01 dezembro 2012

Eu de bobs me encontrando no meio de livros

"Eu nunca seria capaz de escrever sobre acontecimentos reais da minha vida, não só porque ela, como aliás a de quase todos os escritores, nada tem de extraordinário ou interessante, mas também porque eu me sinto mal só de pensar que alguém possa conhecer a minha intimidade. É claro que eu poderia camuflar os fatos com uma aparência de ficção, passando da primeira para a terceira pessoa, acrescentando um pouco de drama e comédia inventados etc. É isso o que muitos escritores fazem e talvez seja a razão pela qual a literatura deles é tão fastidisiosa. (...) Oque fiz nestes três meses? Comi, dormi, li alguns livros, vi televisão, fui ao cinema, me envolvi com três mulheres, coisas que não interessam a ninguém, nem mesmo a mim, e no entanto aqui estou contando tudo para um objeto eletrônico, quadrado, movido a pilha."

Rubem Fonseca, em Pierrô da caverna de 1989, descrevendo os motivos (?) pelo qual eu mantenho esse blog.

26 novembro 2012

Fantasmas


Tenho andado tanto no meu subconsciente que começo a confundir as coisas.

Nos meus pensamentos gosto de sonhar e imaginar dias mais felizes, quando passar a me sentir mais completo ou ao lado das pessoas que eu goste. Imagino amigos fiéis, dispostos a fazer aquele tipo de loucura que agente só faz pra contar na posterioridade. De imaginar a mulher que irei amar com toda sua perfeição e compatibilidade a mim. De como poderei me depositar sobre ela, com minhas dúvidas, meus problemas e minhas carências (mas esqueço de pensar em como darei suporte para que ela também se deposite sobre mim).

São os moldes que a gente constrói dentro da cabeça. As pessoas ideais, as pessoas 
invisíveis, os nossos fantasmas.

Só que aí voltamos pro mundo real, conhecemos quem a gente pensa ser aquele tipo de amigo ideal ou a pessoa que vamos amar. No começo parece tudo se encaixar, temos a nossa dose de felicidade, de satisfação, aquela pequena quantidade suficiente para ser o combustível que nos permitirá sonhar.

Então aparecem os fantasmas da nossa cabeça pra estragar tudo. Eles se misturam com a imagem que formamos das pessoas próximas, limitando a infinidade de coisas que elas podem ser. É quando chegam as nossas decepções. Esquecemos de exercitar o nosso lado mais experimental, disposto a sentir coisas novas. Os fantasmas nos prendem a esperar apenas aquilo quedesejamos das pessoas reais.

Pior ainda é perceber que os fantasmas de outras pessoas começam a se misturar com a gente. Quando a gente começa a querer agradar e limitar a nós mesmos. Difícil lidar com esses seres (seres? Será que eles “são”, no sentido de ser/existir?). Difícil não se deixar esconder atrás de um ideal e exercer nossa identidade. Difícil saber se o que queremos são fantasmas ou pessoas de verdade.

p.s: só queria desabafar, não queria quebrar muito a cabeça e fazer um bom texto. Por isso ficou essa coisa ridícula parecendo autoajuda. Aliás é um autoajuda, pois só ajuda a mim mesmo, seu autor. Enfim.

13 julho 2012

mto agradecido

ah obrigado blogger,
por satisfazer minhas vontades de colocar o que penso na rede sem que ninguém veja.

compensação

Não é preciso ser muito bonito quando se é inteligente.
E vice-versa

poder supremo


quando estava na escola
era torturado por meninos maiores que começavam a descobrir o gosto do poder.
tomava beliscões, cascudos e empurrões
escondiam minhas coisas e me humilhavam, dizendo de mim tudo que já sabia mas não gostava de ouvir.
algo que repeti tudo de novo quando cresci, ao chegar minha vez.

agora enfrento essas moças meigas.
não há nada mais irritante e apaixonante que essas suas inocências
sem querer, entro em seus joguinhos e me deixo envolver
usam de suas falsas ingenuidades para me confundir e mesmo perdendo pareço ser o mais errado.
de alguma forma conseguem ser tão cruéis como aqueles valentões e tão dóceis como suas vítimas.

02 julho 2012

Conto padrão de pós-briga


Pegou as chaves do carro e saiu. Buscou na rua proteção contra as divergências que tinha em casa com sua mãe. As discussões haviam se tornado mais constantes após o filho ingressar na universidade. Ele ainda estava se acostumando com sua autonomia e era em casa que sempre procurava testar limites.

A discussão havia começado por um motivo tão banal que mal se lembravam qual era, mas sempre se resumia na luta da mãe por hierarquia. Ela o criara dando-lhe bastante liberdade, pedia opiniões sobre as aquisições da casa, colocava-o a par dos negócios da família e até o incentivava a assumir as rédeas das finanças. Ele até ameaçava assumir seu posto, mas se irritava facilmente e desistia antes de começar. A mãe o apoiava e sequer o pressionava por ainda não ter começado a trabalharas. Ela somente se irritava pelos caminhos errantes que o rapaz escolhera ao rejeitar sua religião.

Saiu do bairro que morava sem nem mesmo saber onde iria. Gostava da estrada como cenário para reflexões, talvez por influência do pai que o havia deixado aos sete anos para se tornar caminhoneiro. Parou em uma loja de conveniência e comprou um maço de cigarros. Não tinha o hábito de fumar, se interessava mais na impressão rebelde que um cigarro o deixava. Mal conseguia tragar e dirigir ao mesmo tempo. O rádio estava com a opção de músicas aleatórias acionada e a trilha não combinava com seu humor, mas ele nem ligou. Gostava mesmo era de dirigir e se deliciava em deslizar por entre os carros em alta velocidade. O carro era quase de sua idade e de um modelo que não teria muito valor para a maioria das pessoas. Talvez por isso se identificasse tanto com o veículo. De tanto o dirigir, até sentia que o carro havia se transformado em uma extensão de seu corpo. Era o único espaço em que conseguia privacidade. Gostava de como fazia se lembrar do pai e de como era inadequado para sua condição social.

O rapaz pertencia a uma classe média emergente, mas rejeitava e se sentia rejeitado por essa condição. Preferia sempre lugares e pessoas mais humildes, onde o papel social fosse o que menos importasse. Acabou deixando o carro o levar para um bar onde costumava se encontrar com alguns amigos, bem afastado do local em que morava. A rua do bar era pouco habitada durante à noite e bastante violenta também. Era o limite entre a área em que a polícia monitorava e de onde os traficantes se tornaram mais soberanos que o Estado. Ele não tinha medo do lugar, na verdade se sentia mais seguro. Pelo menos os preceitos de que fugia não o alcançariam ali.

Seus companheiros eram em sua maioria mais velhos e menos instruídos que o garoto, mas ainda assim o respeitavam. Lá eles começaram a assistir lutas na tv. O garoto não era o maior fã do esporte, mas se deixou perder por algumas horas concentrado naquelas disputas. Dentro daquele cenário ele parecia se transformar e assumir uma personalidade bem mais simples do que passava em casa. Mesmo possuindo conceitos diferentes dos amigos, conseguia se dar bem com eles a ponto de assumir para si, algumas de suas características, principalmente quanto ao modo de falar. Gostava de levar para casa e para a sala da aula muito do que aprendia ali. Considerava-se capaz de percorrer os dois mundos com facilidade.
Um de seus amigos o chamou para uma festa perto de onde morava. Achou engraçado como o lugar de que tanto fugia voltava para assombrá-lo. Esperou até o início da madrugada para decidir se iria. O amigo, afoito, olhava a todo tempo para o relógio a fim de ir logo para a festa. Ele pensava no que faria após a luta acabar, estava determinado a deixar a mãe preocupada com sua demora. Tinha até se precavido de esquecer o celular em casa, em cima da mesa da cozinha, onde a mãe acharia com facilidade. Pensou em recusar o convite e ir a um bar próximo dali em que artistas independentes tentavam impressionar um público adolescente cheirando a álcool. Achou que se sentiria desconfortável por não ter nenhum conhecido no local. Ainda que se considerasse interessante, era tímido demais para puxar conversas com desconhecidos. Além do mais, acreditou que o público não lhe agradaria tanto, apesar de gostar do estilo de música do ambiente.

Antes mesmo do fim, já perdera o interesse nas lutas e, entediado, bocejou. Olhou para o afoito amigo e decidiu confiar a ele o destino para qual iria. No carro chegaram a um assunto envolvendo mulheres. Ouvia as queixas do companheiro que se desapontara com uma mulher com quem tinha feito planos. O amigo, quase dez anos mais velho que ele, já começava a se preocupar em se casar e ter filhos. Talvez fugindo desse encargo que havia arranjado para si, procurava sair à noite em busca de prazeres passageiros. Sem ter o que dizer para consolar o companheiro ele se sentiu desconfortável e culpou-se por não poder ajuda-lo. Queria ter algo para lhe falar naquele momento, qualquer coisa, mas não conseguiu abrir a boca. Seu silêncio fazia transparecer a diferença de idade entre os dois. Se sentiu menos maduro por isso. O local, desconhecido por ambos, começava a se aproximar e o assunto acabou deixado de lado para que se discutisse qual caminho deveriam seguir. Eles pararam o carro próximo a uma boate. Com sono, o garoto mais novo preferiu não ir para a festa com o companheiro. No meio do caminho enquanto ouvia as queixas do colega na viagem, decidiu voltar para casa. O amigo lhe assentiu com a cabeça sorrindo e se despediu.
Em casa o cenário não transmitia a confusão que armara antes de sair. A mãe assistia tv na cozinha e nem lhe perguntou onde havia ido, mesmo com ele tendo se ausentado por umas 6 horas desde a discussão. Em tom afável perguntou-lhe se queria algo para comer e ele, igualmente dócil, disse que não. O relacionamento entre os dois era tão intenso quem nem precisaram trocar pedidos de desculpas. Era comum que após uma briga, os dois se afastassem por algumas horas e voltassem a se falar normalmente.

Com um beijo a mãe lhe deu boa noite e se juntou ao irmão mais novo para ir dormir. Sozinho, na madrugada, procurou por algo para beber na geladeira e sentou no sofá. Deixou-se distrair pela tv e decidiu que terminaria aquela discussão em uma outra oportunidade.

26 junho 2012

pensamento fora de hora

só penso em hora errada
não penso na hora de falar oq penso, ofendo alguém e falo sem dizer
penso mto na hora de falar oq penso, e dizer o qnto penso em vc

24 junho 2012

dúvidas

o que será que o tempo reserva pra nós?
será que andarei com vc pela praia, esperando o por do sol?
será que vc ainda vai rir das minhas piadas por mto tempo?
quanto tempo vai levar pra vc esquecer de mim?
será que me esquecerei de vc?

me sinto covarde...
acho que me sentiria menos impotente se não pudesse mudar o tempo.
por quanto tempo vou te amar eternamente?

13 junho 2012

labuta

Pressionam para ter um emprego, pressionam pra ter uma função
viver fica em segundo plano. um detalhe, mera distração.
dom natural da vida é trabalhar

antes já sonhava com a aposentadoria, mas prorrogaram meu prazo de validade
salvem a economia, condenem a liberdade.
dignidade?
minha vocação é ser feliz
morro pobre, mas não morro frustrado
indigno, do jeito que sempre quis


passividade, paciência e paixão

Não busco reconhecimento
nem busco compreensão
não te quero por merecimento
só te quero por paixão

09 junho 2012

Antropofagia

De que adianta ser um bom ou um mau jornalista, se o que se faz é o que lhe é proposto?
De que adianta ser um bom ou um mau jornalista, se no final ninguém entende o que se diz?
Fagocitem-me e deixe essa porra continuar existindo.

13 março 2012

Reflexão de um babaca

Eu me achava tão inteligente, que me fingi ser burro pra parecer mais simples... agora já não sei se virei burro ou se desaprendi me fingir de inteligente. As aparências enganam... até o dono delas.

14 setembro 2011

Meu guru é um meme



Que se foda essa merda!
 Rapaz, tenho vivido de maneira muito boêmia. Minha principal obsessão tem sido ganhar a Champions cup com o Guillighan no Fifa 11. Comprei um livro e me propus a ler 25 páginas por dia, mas a realidade é que tenho lido 50 por semana. Ir pra faculdade tem sido como ir para a escola durante a oitava série. Vou só por obrigação da minha mãe. Até gosto das aulas, mas gosto mais de jogar videogame.

Pensar o futuro saiu da minha cabeça, entendo isso como uma lição aprendida na época do hospital. Ficar aqueles 10 dias na UTI, que pareceram 1 mês, me esclareceram algumas coisas. Até fico chateado quando algo não dá certo, mas não consigo mais me preocupar. O motivo de sermos estressados é o medo das consequências dos nossos erros. Nessa minha nova vida de niilismo e de despreocupação, percebi que as consequências não são tão ruins. Esse medo a potencializa e move os trabalhadores. "-Trabalho em cinco empregos, não consigo matar a fome dos meus filhos, mas só me preocupo por causa do meu medo? VSF, burguês de merda!" Dormi, quando deveria estudar. Joguei videogame quando deveria trabalhar. Saí quando deveria ajudar. Ri quando deveria chorar. Se soubessem como ser responsável é bom, não tinha desejado ser adulto. Sou o cúmulo da sem-vergonhice: estagiei por 10 meses, sem nenhuma pressão e considerei isso um “trabalho”. Pior, arreguei por isso.

Perdi até a vergonha de ser fracassado, que se dane trabalhar agora pra que? se minha mãe tá me sustentando. "- Eu sei que tem muita gente passando fome, sendo explorado e tals, mas ow, mim dá lincença que eu quero jogar?" Alguns podem achar que estou tentando esconder que cheguei no fundo do poço, mas tá parecendo que eu tô no auge. Posso não estar, mas a aparência já me satisfaz.

Acho que viver desmotivado é o segredo da felicidade, que diga o Yao Ming.

07 julho 2011

Was talk

Ainda que não tenha te visto, sinto sua presença

Se ainda não é concreto, será você a minha crença?

Isso é complexo, definitivamente coração não é tão simples quanto pensa


De tanto procurar, o acaso me trouxe uma surpresa

Tudo o que eu queria, ainda que não mereça

Encontrei o castelo que esconderam minha princesa


Vem pra mim que nosso amor é culto e oculto

Que tal fugir e esquecer desses puto?

15 junho 2011

Irresponsável

Amigos, volto a publicar no blog por um motivo especial. Estou me demitindo aqui da empresa, um alívio muito grande depois de quase um ano se arrastando entre a faculdade Pio XII e a Ufes. Acredito que agora terei mais tempo para pensar, para criar, estudar e ter uma formação melhor.

Engana-se quem acha que estágio ajuda em algo, pelo menos pra mim não resolveu nada. Estágio é uma coisinha típica de país de terceiro mundo, onde em universidade se aprende a trabalhar, e do jeitinho que o mercado quer. Cansei disso, Comunicação é um curso muito bom mas tem salários mediocres, pra que que eu vou ficar preso a uma máquina de produzir trabalhadores, enquanto poderia tá criando algo interessante. Quase morri pra entrar numa universidade federal, pra me formar de maneira tão superficial? Pra Puta que o pariu.

Tive meus momentos bons aqui na empresa. Principalmente na parte financeira. Conquistei alguma independência em relação aos meus pais e não perdi um caravana pros jogos do Corinthians nesse período, mas quer saber, não compensa! Vou é engolir meu orgulho e aproveitar a oportunidade que eu tive, de não ter obrigações na vida. Curtir esse período de irresponsabilidade e fazer muita cagada. Daqui uma semana tô saindo fora pra tentar salvar esse período ainda. Mais uma vez vou mudar a característica do blog. Chega de seriedades, vamos buscar mais pessoalidades. Quem sabe um dia ainda viro cult..rs